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Quando no fim da década dos anos vinte se sentam as bases das primigênias organizaçons fascistas espanholas, inspiradas no fáscio italiano, umha boa parte do povo progressista nom lhe emprestou atençom. Foi subestimado e infravalorizado o seu significado e transcendência.

 

 

Algo semelhante tinha acontecido com os primeiros passos do nacional-socialismo na Alemanha da República de Weimar. Só a Komintern, os partidos comunistas e as organizaçons revolucionárias operárias, caraterizárom corretamente este fenómeno e alertárom do seu perigo real. Ainda assim cometérom erros táticos letais que pagárom duramente.

 

 

Oito décadas após a vitória franquista na guerra de classes de 1936-1939, e a quatro décadas do início da reforma maquilhada da ditadura fascista no atual regime bourbónico, semelha que pouco apreendimos da mais dolorosa experiência histórica da Galiza contemporánea.

 

 

O tránsito de Vox, como organizaçom residual a movimento político com dimenssom de massas nom é casual. O novo partido fascista espanhol é um projeto promovido pola fraçom mais reacionária da oligarquia, pola Zarzuela e os serviços de inteligência do postfranquismo.

 

 

O apoio entusiasta das forças policiais, das forças armadas, do funcionariado prisional, é resultado de nom terem sido dissolvidas as forças repressivas, nem depurados os aparelhos do Estado franquista.

 

 

Perante o legítimo processo autodeterminista catalám, a aprofundizaçom e alargamento da crise estrutural do capitalismo senil, e as suas particularidades no Estado espanhol, era necessário impulsionar umha organizaçom fascista visada para enquadrar e disciplinar setores populares sob um relato populista para assim desativar a rebeliom.

 

 

O discurso chauvinista e xenófobo do partido de Abascal é altamente  funcional como cortina de fumo, mui útil para desviar a atençom sobre os responsáveis do processo de depauperaçom de amplos setores operários e populares, e a universalizaçom de perda de direitos e liberdades.

 

 

Achacar o desemprego e a precariedade laboral à emigraçom, a “insolidariedade separatista“, ou à tímida e insuficiente legislaçom em prol da igualdade de direitos entre trabalhadoras e trabalhadores, é pura demagogia reacionária, mas que penetra com facilidade entre umhas massas politicamente analfabetas.

 

 

O abandono da luita ideológica e capitulaçom da “esquerda” maioritária perante o politicamente correto, tem sido o perfeito caldo de cultivo para o extensom de Vox, do endurecimento do discurso de extrema-direita do PP de Casado, e da consolidaçom do neofalangismo laranja entre as camadas intermédias urbanas.

 

 

A covardia genética que arrastam os partidos da “esquerda” eleitoral, facilitam o seu desenvolvimento. Ainda umha parte desse espaço, em base a alambicadas argumentaçons  “académicas”, se nega a caraterizar como fascista a linha maioritária das forças à direita do PSOE.

 

 

A ingenuidade democraticista dos partidos progressistas é o melhor aliado do fascismo.

 

 

Deveriam estar ilegalizados todos os partidos e organizaçons que nom condenam o franquismo e reivindicam a ditadura, assim como as fundaçons franquistas, e entidades como a Uniom Militar Espanhola.

 

 

Os meios de “comunicaçom” que realizam apologia do franquismo devem ser clausurados, proibida a exibiçom da simbologia fascista, anulados todas as condenas e juízos realizados entre 1936-1977 e reparadas as vítimas e familiares.

 

 

A amnistia de 1977 deveria estar anulada, pois nom é mais que umha lei de ponto final que garante a impunidade a todos aqueles que participárom ativamente na repressom franquista.

 

 

Nom estamos pois perante um fenómeno passageiro. Estamos frente a umha ameaça real e tangível. Banalizar os acontecimentos em curso, trivializar as suas “excéntricas” iniciativas e movimentos, desprezar e burlar-se das suas “extemporâneas” e “arcaicas” propostas, é simplesmente umha irresponsabilidade histórica.

 

 

O perigo do rearme ideológico e progressiva implantaçom popular do novo fascismo espanhol exige profundas mudanças na percepçom, na orientaçom e açom teórico-prática das diversas “esquerdas” hegemónicas.

 

 

O fascismo deve ser combatido com determinaçom, coragem e audâcia. Aplicar criativamente a experiência histórica do movimento operário no período de entreguerras é vital, para evitar caminharmos inelutivamente face umha nova derrota alicerçada sobre a destruiçom física da classe operária e os setores populares organizados.

 

 

Com o fascismo nem se negoceia, nom se alterna, nem se dialoga, tem que ser combatido com contundência e sem contemplaçons.

 

 

Deve ser isolado e derrotado em todos aqueles espaços e ámbitos sociais onde se exprima de forma clara, ou mediante os mais variados subterfúgios. Nom lhe podemos dar trégua, nem sermos permissivos com quem nos nossos centros de trabalho e ensino, ámbitos familiares e de relaçons, manifestem simpatias ou justifiquem global ou parcialmente as suas propostas.

 

 

Embora já possua corpo social, conte com projeçom mediática, esteja atingindo respaldo entre os setores mais alienados do povo trabalhador, das camadas pequeno-burguesas asustadas pola incerteza do futuro, da juventude conformista e embrutecida que se resigna a engrossar as novas formas de escravidom laboral do século XXI, ainda há margens para implementar medidas preventivas.

 

 

Porém, som insuficientes, se nom logramos vertebrar um poderoso muro operário e popular que lhe faga frente.

 

Articular um Bloco Popular Antifascista é tarefa prioritária para o movimento operário, para as mulheres trabalhadoras, para a juventude condenada à miséria, para todas as galegas e galegos que nos negamos a assumir em silêncio e resignadamente a assimilaçom do nosso povo e da nossa naçom.

¡Venezuela vencerá!

 

#SimónDignidad

 

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