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“A via de desenvolvimento não capitalista para os países de África e a edificação de sociedades socialistas nesse continente não só é possível como é a única opção a médio e a longo prazo para que os povos africanos possam assegurar o desenvolvimento económico e social correspondente aos seus interesses e aspirações.”

 

No final dos anos 80 do século XX, há quase duas décadas e meia, Álvaro Cunhal expressou a opinião de que é possível uma via de desenvolvimento não capitalista para os países de África e a edificação de sociedades socialistas nesse continente.
«Penso que não só é possível como é a única opção a médio e a longo prazo para que os povos africanos possam assegurar o desenvolvimento económico e social correspondente aos seus interesses e aspirações. Além disso, num mundo em que se acentua a divisão internacional do trabalho com peso dominante da alta finança e das grandes empresas capitalistas multinacionais, o desenvolvimento capitalista em países cujo estádio de desenvolvimento económico é extraordinariamente mais atrasado significa a criação ou reforço de laços neocolonialistas e fortes limitações à independência e soberania nacionais», afirmou em Agosto de 1989 o então Secretário-geral do PCP.
Numa entrevista ao quinzenário cabo-verdiano «Tribuna», Álvaro Cunhal considerou que, também em África, «o caminho para o socialismo é sem dúvida extremamente complexo, tanto por factores objectivos como subjectivos, tanto por factores internos como externos, de natureza económica, social e política». Avisou que «não será certamente adequado pretender copiar qualquer “modelo” de construção de socialismo em condições completamente diferentes». E concluiu que «a grande tarefa que se coloca a forças que ponham como objectivo a construção do socialismo nos seus países é descobrir com criatividade revolucionária os caminhos e soluções para, ainda que num processo irregular, construir uma sociedade sem exploração do homem pelo homem, uma sociedade donde sejam progressivamente eliminadas a opressão e as injustiças sociais».
O dirigente comunista abordou também as relações históricas entre o PCP e as organizações nacionalistas africanas: «A amizade, fraternidade, solidariedade e cooperação combativa com os movimentos de libertação nacional das antigas colónias portuguesas inscrevem-se como princípios de ouro do Partido Comunista Português e do próprio povo português. A íntima associação da luta contra o colonialismo e contra o fascismo tornou possível a confluência de históricas vitórias comuns coroando a heróica luta dos nossos povos: a libertação do povo português da ditadura fascista com a revolução de Abril de 1974 e a conquista da independência pelos povos então submetidos ao jugo colonial português. As relações de amizade e cooperação do PCP com o PAIGC, o MPLA e a Frelimo foram constantes e fraternais desde a criação destes movimentos de libertação. Nessas relações se inscreveram os numerosos encontros, a ajuda recíproca e o estabelecimento de uma profunda confiança dos dirigentes do PCP com Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Samora Machel e outros dirigentes dos movimentos de libertação. Pela minha parte conservo recordações inolvidáveis de muitos anos de cooperação, de combate, de camaradagem e de amizade fraternal».
Confiança no futuro
Nessa longa e interessante entrevista ao jornal de Cabo Verde, Álvaro Cunhal elogiou Cabral, contou com pormenores o processo da saída de Neto de Portugal, em 1962, enalteceu as lutas dos povos da África Austral contra o «apartheid» apoiado pelo imperialismo norte-americano e – em vésperas da desintegração da União Soviética – manifestou a sua «inabalável convicção» no futuro do socialismo e na validade do marxismo-leninismo.
Sobre o relacionamento do PCP com os partidos no poder nos países africanos de expressão lusófona, e entre estados, deixou palavras que surpreendem pela sua actualidade: «Continuam a ser relações de amizade e solidariedade. Há sólidas razões para que assim seja. É uma verdade incontestável que os comunistas portugueses são em Portugal os melhores, mais sinceros e coerentes amigos dos povos dos novos países africanos. Estamos ao vosso lado, na construção da nova sociedade, na defesa das vossas opções e da vossa independência. A conjugação da luta dos nossos povos que culminou com a revolução de Abril em Portugal e a conquista da independência dos povos das antigas colónias portuguesas, criou um momento histórico único que abriu extraordinárias possibilidades a uma era de cooperação entre os nossos países. Se isso não aconteceu deveu-se sobretudo ao facto de que os interesses do grande capital e o saudosismo colonialista têm determinado em larga medida a política africana dos governos em Portugal».
Para Álvaro Cunhal, «nós, comunistas, lutamos para que as relações políticas, económicas, sociais e culturais entre Portugal e os novos países se desenvolvam na base da igualdade, da reciprocidade, da não ingerência, do inteiro respeito pela soberania».


Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2086, 21.11.13

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